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日志


1月21日

Quem sou eu...

Eu sou  uma reclamona. Quase uma chata. Teimosa, cabeça dura e mimada. Falam que eu tenho a personalidade de um demônio e que já tiveram vontade de me bater para que eu calasse a boca. Mas sou sincera. Minha cara de nojo quando algo me incomoda é incontrolável. Tenho ímpetos de prepotência, mas só porque, como diz meu irmão, adoro mandar algumas pessoas se foderem. Nada que não tenha sido merecido. De todas, uma: ou tentaram me converter ou gritaram comigo sem razão, com a possibilidade de tentativa de me fazer de idiota ou foram hipócritas. Viu? Merecido.
Posso ser um monstro egoísta, eu sei. Mas esse meu coração que ainda bate, é enorme, e se alguém quiser fazê-lo de idiota, vai se foder, não deixo. É fácil me dobrar, sou sensível. Fico encantada com  Nutella e com  sapatilha . Choro de repente. A pose de durona desencanada é só um esforço, muitas vezes inútil, de não sofrer .
Gosto de pizza, de Rob Zombie e de andar descalça. Odeio livro de auto ajuda, mas amo ler qualquer outra coisa-, odeio manicure. Ode io estudar, odeio os nerd Mostrando os dentes. Tenho aflição quando mexem no meu  cabelo.Não sei cantar e  tenho tinta no cabelo. Não uso drogas. O entorpecente mais forte que “uso” de vez em quando é tequila. Detesto me vestir de atriz pornô, aquele famoso estilinho “perua-árvore-de-natal” que a mulherada por aí insiste em achar que é a melhor maneira de ter “cara de rica”.
Tempos atrás, num dia de chuva, vi um filhote tremendo de frio no ponto de ônibus. Quase que o enfiei na mochila, mas acho que ele não ia gostar muito do tour que teria que fazer até às 6 da tarde. Já joguei um tijolo num velho maldito que pensou em espancar uma cachorra que estava amarrada num carrinho de catador de papel. Já fiz o trânsito parar para salvar um outro cachorro de ser atropelado, só não me pergunte como consegui convencê-lo a voltar para casa. Acho que foi a coxa de frango que obriguei a tiazinha do boteco a me dar.
Fora os bichos que têm minha preferência, faço qualquer coisa pelos meus poucos e bons amigos. Fico feliz ao extremo quando estão todos perto de mim. Fico bem só quando eles estão bem. Quando eu falo poucos, são poucos mesmo. Cansei de pessoas ridículas que me julgam e fazem sacanagem. Não perco tempo, excluo. Ô gentinha escrota. 
Gosto de coisas simples. Sou baladeira, mas não é por isso que sou uma vadia. Adoro ler e de acordar com alguém me fazendo rir. Não gosto de fazer pose, prefiro minha empolgação pura como é. Envolvo-me. Não tenho meio termo, o que sinto chega sempre nos extremos. Não consigo ser superficial. Sou simples assim, não tem mais o que mostrar. E depois de ter me exposto e me virado do avesso mais do que deveria, resta-me dizer: Oi, quer ser meu amigo?

Balada de uma caipirinha

eu não deveria estar naquele lugar. Estava tudo errado. Lugar errado. Decoração errada. Iluminação errada. Música errada. Pessoas erradas. Tudo. E minha presença lá era o maior erro de todos. Como é que eu me deixei convencer a vir?

- Tá tudo bem?

Não, tá tudo errado. Não deu pra perceber pela minha cara, não? Não agüento mais isso. Quem estou enganando? Essa não é minha vida, não é o que eu gosto. Não sou eu aqui nesta mesa arrumadinha, limpinha, bonitinha, com estas pessoas fresquinhas, limpinhas, arrumadinhas, idiotinhas. Essa blusa está pinicando meu pescoço. Odeio sapato social, odeio salto. E que merda de gosma é essa que  a Nessa passou no meu cabelo?

- Mais cerveja, senhorita?

Quero. Não! Espera. Chega de cerveja. Empapuçou. Preciso de algo mais forte. Dá aqui o cardápio. Puta bar caro do caralho! Assim não é possível. Tem que ter alguma coisa mais forte que cerveja a um preço que eu possa pagar. Calma, não vai embora. Aqui. Pronto. Me faz uma caipirinha.

- Claro, senhorita. De quê?

Como é? Caipirinha. Não sabe o que é caipirinha? Como assim "de quê"? E você, tá rindo por quê? Acha engraçado um garçom que não sabe o que é uma caipirinha? Eu acho triste, isso sim. Babaca...

- Júliana...

Me deixa! Pedi uma caipirinha. Não dá pra ser mais direta que isso! O que mais você precisa saber?

- De vodca, saquê, rum, gim...

Como é que é? Esse cara tá me tirando. Eu pedi uma caipiroska? Ou uma caipiríssima? Não. Nada disso. Eu pedi uma caipirinha! Deixa eu ser mais clara: CAI-PI-RI-NHA. Entendeu agora? É com pinga, porra! Pinga! Cachaça! Cana! Mé! Água que a PORRA do passarinho não bebe! Saquê? Quem é que inventou essa merda? Caipirinha com saquê?

- Saiquirinha...

Pára! Não, aí já é demais! Saiquirinha? Isso é nome de bebida séria? Parece nome de suco de caixinha! Não, sem essa de saquê. É com pinga mesmo. Pinga.

- Muito bem. E com que fruta?

Isso é sério? É pegadinha? Cadê as câmeras? Como assim com que fruta? Eu não fui clara o suficiente? Você é gringo? Retardado? Bebe Diabo Verde no café da manhã? Com que fruta você acha que eu quero a PORRA da minha caipirinha? Hein? Adivinha?

- Bom, temos morango, abacaxi, kiwi, carambola, lima da pérsia, cupuaçu...

Cupuaçu? Que merda é essa? Não faço a menor idéia do que é cupuaçu! Isso é fruta? Me larga, porra! Será que chegamos a tal ponto nessa BOSTA de país onde nem mesmo uma caipirinha tem mais identidade? É a bebida nacional! Aposto que se eu fosse num bar na Tanzânia e pedisse uma caipirinha o garçom não ia ficar me azucrinando com essas perguntas cretinas!Limão, caralho! Limão! Sabe o que é limão? Aquela fruta verde que quando a gente chupa fica com a cara da tua mãe! Sabe?

- Caipirinha de pinga com limão. Perfeito.

Isso. E, por favor, não precisa falar desse jeito. Só "caipirinha" já basta. O próprio nome pressupõe pinga e limão. Não, eu tô mais calma. Desculpe. Me desculpem. É que tem certas coisas que me tiram do sério. Não, eu tô melhor. Obrigada...

- Senhorita?

Você tá aí ainda? O que foi agora?

- Açúcar ou adoçante?

Levantei e fui embora. Aí já era demais. Só me faltava agora tomar uma caipirinha diet! Não tem jeito. Não era meu lugar. Não era. Estava tudo errado. Está tudo errado. Comigo. Com o mundo. Depois reclamam quando alguém perde a cabeça e sai atirando em todo mundo na rua. Caipirinha com adoçante?! Sacrilégio! Esse mundo tá perdido.

Me deixa, heim!!!
1月14日

Á puta que o pariu!!!

cansei de frescura. Cansei de meias palavras ou asneiras inteiras. Cansei de cu sujo e papel higiênico perfumado.

Chega uma hora que a gente precisa colocar certas coisas em perspectiva. Que coisas eu não sei, mas alguma coisa tem que ficar mais distante que a outra, no túnel retangular infinito da nossa vista prismática. Epifania. Pedofilia. Idolatria. Baixaria. Putaria Puritana e Feijoada Macrobiótica não descem nem com farofa de saquinho.

Cansei de ligar o rádio e ver político se explicando. Cansei de comentaristas explicando as explicações do político para nós, as bestas roubadas. Cansei de jingles inesquecíveis e tv's em pânico. Certo está o Trump, que esculacha, demite e ainda caga em dólar. O sonho do Justus não pode ser confundido com o sono dos justos.

Infame, sim, e daí? Pau no seu cu. Cansei de psiquiatras, que acham que são os guardiões da sanidade, e se masturbam com menininhas de meias três quartos. Cansei de divãs acolchoados e música new age. Tá louco? Vai pro tronco. Quinze chibatadas muçulmanas na bunda. Não melhorou? Apanha até o cabra parar de reclamar.

Todo mundo se acha deprimido. Todo mundo vive em crise existencial. Todo mundo cata meleca no trânsito, e esconde a catota embaixo do banco. Todo mundo diz que quer sexo, mas na verdade num faz nada. Freud era um bosta. Jung outro. Deviam ser amantes numa sessão espírita comandada pela mulher do Conan Doyle, só para serem espinafrados pelo Houdini.

Todo mundo quer ser rica. Eu não. Quero ser sustentada, só isso. Não quero ter que acessar banco pela internet. Não quero ver cifrão. Quero ver produto. Quero ter vontade de comprar uma televisão só pra quebrar, e não me preocupar com o preço. Nem com o babaca que estiver na trajetória dela quando atirar os escombros pela janela.

Cansei de chefe careca que compensa a vida brochada dando uma de Homem Caralho de Gravata. Vai foder sua avó. Vai tomar nas bolas. Amo o que faço, mas não faço o que amo. Na verdade, não amo. Amor, só de mentira. Amor é desculpa esfarrapada pra justificar o ritual anti-natural do casamento. Casamento é a morte do amor. A morte é uma solução viável. Covarde, mas os corajosos são uns idiotas. Gandhi? Otário. Dalai Lama? Cretino. Mandela? Preto velho de terreiro de macumba.

O que é que um macumbeiro pensa? Que um espírito pinguço vai ajudar? É a mesma coisa de dar a chave do carro prum mendigo, e ainda ter esperança de que ele te leve pra casa. Matar galinha preta em encruzilhada é racismo? Já enchi a cara com pinga de macumba, e vomitei nas velas. Sacrilégio de cu é rola.

Deu pra perceber que as férias acabaram?